sábado, 5 de julho de 2014

O vinculo matrimonial: O que as Escrituras dizem sobre divorcio e novo casamento

É importante reconhecer que "casados" significa uma posição assumida em um determinado momento, e de uma forma que é reconhecida como tal pelas "potestades" ou "autoridades superiores" (Rm 13:1). Quando um homem e uma mulher se unem eles se tornam "uma só carne" (1 Co 6:16), mas isto por si só não é o matrimônio no sentido bíblico (Jo 4:18). O matrimônio é algo legal, um evento que possui algum tipo de reconhecimento público como vemos em João 2:1. A relação matrimonial é a consumação do matrimônio. Trata-se de fornicação um homem e uma mulher terem uma relação fora do matrimônio (Gn 34:1-31; 1 Co 6:15-18). Até mesmo a esposa de Caim já era sua esposa quando ele teve uma relação com ela (Gn 4:17).



Se uma pessoa casada comete adultério, ela se torna "uma só carne" com outra pessoa (1 Co 6:16), mas isto por si só não rompe o vínculo matrimonial. Trata-se de um pecado muito sério aos olhos de Deus, exigindo uma ação da assembléia (Gn 39:9; Pv 6:32, 33; 1 Co 5:11-13). É também um pecado muito grave contra o cônjuge, pois rompe o vínculo entre marido e mulher. Além disso, atrai a solene ação governamental de Deus (2 Sm 12:10), mas legalmente o matrimônio permanece, a menos que seja rompido diante das "autoridades superiores".

Portanto, a questão que queremos considerar neste artigo é esta: Será que as Escrituras permitem que o matrimônio seja rompido diante das "autoridades superiores", e sobre qual fundamento? Será que Deus, caso o matrimônio seja rompido de uma forma bíblica, permite um novo casamento? Se considerarmos em oração as passagens das Escrituras a seguir conheceremos o pensamento de Deus a respeito destas questões, mas cada caso deve ser considerado em particular, e também diante do Senhor, o único que pode dar a sabedoria necessária para isso. É o que podemos chamar de "discernimento sacerdotal" (Lv 13:5, 6), pois "o Senhor é o Deus de conhecimento, e por ele são as obras pesadas na balança" (1 Sm 2:3).

Talvez exista mais um ponto que deveria ser mencionado aqui. Trata-se da questão da pessoa ser salva ou não por ocasião de seu divórcio e novo casamento. Se ele ou ela professa ter a salvação nessa ocasião, então tal pessoa deve ser vista como estando sob a responsabilidade da "casa de Deus" 1 Pd 4:17.

Não é nosso desejo apresentar algum ensino novo sobre o assunto, mas já que temos sido pressionados com frequência pelo triste fracasso da instituição do matrimônio, é preciso reunir o que já foi ensinado pelos homens de Deus do passado, aqueles que tremiam diante da Sua Palavra. Recomendamos estas observações às consciências dos santos de Deus, esperando que estejamos "unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer" 1 Co 1:10.

O Vínculo Matrimonial -- e... divórcio e novo casamento

Quando falamos do vínculo matrimonial hesitamos em introduzir a ideia de divórcio e novo casamento, pois é muito melhor falarmos do plano de Deus para um casamento feliz. Mais que isso, é motivo de encorajamento sabermos que existem casamentos assim, para os quais a própria palavra "divórcio" soa mal e causa repulsa. E certamente lemos na Palavra de Deus: "eu detesto o divórcio, diz o Senhor Deus de Israel" Ml 2:16. Podemos dizer logo de início que a Palavra de Deus nunca fala de alguém como estando "livre" para se divorciar ou "livre" para se casar novamente. Deus "permitiu" essas coisas em certas circunstâncias, mas elas jamais deveriam ser encaradas com leviandade.

Sob a Lei, e "pela dureza de seus corações", isto é, por ter sido a Lei endereçada a Israel como uma nação na qual muitos viviam sem fé (Hb 4:2), Deus permitiu o divórcio por diferentes motivos (veja Dt 24:1, 2). Agora, no cristianismo, todo crente possui uma nova vida, e, portanto, o padrão é muito mais elevado, como iremos ver das várias passagens que serão consideradas a seguir. Seria melhor primeiro falar do verdadeiro sentido do matrimônio, pois quando temos isto diante de nós, passamos a olhar para o matrimônio como algo estabelecido por Deus, e não segundo as várias opiniões humanas.

O matrimônio foi instituído por Deus antes que o pecado entrasse no mundo, e é por isso que, quando os fariseus perguntaram ao Senhor sobre o divórcio e o novo casamento em Mateus 19, Ele os levou a olhar novamente para o plano original de Deus, quando Ele formou Eva para Adão. Este é um princípio do modo de agir de Deus, e Ele estabelece um padrão diante de nós -- a Sua vontade -- e apesar de Ele ter feito provisão para a fraqueza do homem (sem, contudo, desconsiderá-la), Deus irá julgar tudo de acordo com o Seu padrão original. Então, por que seria esse plano original do matrimônio tão importante? Por ser uma figura de um plano concebido no coração de Deus muito tempo antes, pois aprendemos que foi o eterno propósito de Deus (Ef 3:11) que Cristo tivesse uma noiva, e o matrimônio é a figura disso (Ef 5:22-33). O matrimônio é também usado como figura do relacionamento de Jeová com Seu povo terreno, Israel (Is 54:5).

Quando vemos isto nas Escrituras, uma nova luz é derramada sobre o assunto do matrimônio, conforme nos mostra Efésios 5, e o assunto do divórcio passa a ser mais humilhante. Acaso Jeová mudaria a promessa que fez a Israel? Não iria ele, em um dia vindouro, apesar de toda a infidelidade de Israel, regozijar-Se nesse povo como o noivo se regozija diante de sua noiva? (is 62:5). Porventura Cristo não apresentará, no futuro, Sua noiva a Si mesmo "sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante", apesar de toda a sua infidelidade? Pensamentos como estes nos humilham, mas certamente agregam ao matrimônio um caráter que não enxergaríamos ou consideraríamos se tão somente o olhássemos do ponto de vista humano.

Para podermos ter um matrimônio feliz precisamos pensar no amor de Cristo por Sua igreja. Que tipo de igreja será que Ele ama? Certamente com frequência temos falhado em corresponder ao Seu amor, mas o Seu amor sempre permaneceu o mesmo. O que Ele fez por Sua igreja? Entregou-Se por ela. Nenhum sacrifício seria grande demais para Ele nos conquistar para Si, e para nos ter consigo como Sua companhia eterna na glória. Não há dúvidas de que se nos lembrarmos desse amor e de Seu sacrifício, muitas dificuldades no casamento seriam superadas, e o amor de um para com o outro seria aprofundado ao invés de enfraquecido. Nossa tendência é procurarmos por amor, ao invés de demonstrá-lo; esperarmos que nosso cônjuge faça sacrifícios, ao invés de nós mesmos tomarmos essa iniciativa.

Além disso, há também o perdão, o qual Cristo nos mostrou nos momentos em que fracassamos. Aquele que levou sobre o Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro vive agora por nós, como nosso Sumo Sacerdote, para nos ajudar em nossas fraquezas, e como nosso Advogado, para nos restaurar quando falhamos. Será que estamos prontos para perdoar um ao outro ao invés de pensar em romper um matrimônio? É este padrão tão perfeito para o relacionamento matrimonial que encontramos na Palavra de Deus, e acima de tudo dispomos do poder do Espírito Santo para colocar em prática em nossa vida tudo aquilo que apraz nosso Senhor e Salvador. Se alguém que ler estas linhas estiver passando por problemas no matrimônio, insisto que considere estas coisas diante do Senhor, e se elas parecerem muito difíceis tenha em mente o que dizem as Escrituras: "Ele dá maior graça" Tg 4:6.

"Pois é de Suas infinitas riquezas em Jesus,
Que Ele nos provê, sempre e sem cessar".

Há uma coisa mais que deve ser considerada, por mais impopular que seja em nossos dias, e trata-se do lugar que homem e mulher ocupam na criação de Deus e no matrimônio. Deus colocou o homem como cabeça da mulher e pede a ela que se sujeite a ele, assim como Cristo é Cabeça da igreja e o lugar da igreja é em submissão a Cristo (Ef 5:22-24). Isto não quer dizer que o homem tenha assumido o lugar de cabeça, mas que ele foi colocado nesse lugar por Deus. O homem poderá falhar, e tem falhado, em ocupar o seu lugar, deixando de fazê-lo com sabedoria e amor, mas ainda assim é o lugar que cabe a ele. Uma esposa sábia irá procurar ajudar seu marido a ocupar sua posição, e não tentará tomar para si mesma esse lugar. A esposa pode falhar em ocupar o lugar que lhe pertence como auxiliadora de seu marido, mas um marido sábio irá ganhar o respeito de sua esposa a fim de fazer com que fique mais fácil para ela se submeter. Todas essas coisas são como o óleo nas engrenagens de uma máquina, o qual faz tudo funcionar mais facilmente. Às vezes também precisamos acrescentar mais óleo! Seu nível tende a cair com a fricção, e a fricção aumenta caso não seja acrescentado óleo! O óleo, sem dúvida alguma, é o amor, que é feito eficaz por meio do Espírito Santo.
fonte: O Vinculo Matrimonial/ Gordon H. Hayhoe

Nenhum comentário:

Postar um comentário